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Revista Minerva abre portas da produção científica para o público

Nova publicação da UFRJ conecta universidade, pesquisa e sociedade.

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A Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizada no bairro de Botafogo, sediou nesta quarta-feira, 5/11, a cerimônia de lançamento da revista Minerva, publicação dedicada a divulgar as pesquisas, a produção intelectual e o pensamento científico da instituição. A iniciativa compõe um projeto da UFRJ que cria um ecossistema integrado de divulgação científica e cultural, e busca aproximar a Universidade da sociedade e transformar o conhecimento em diálogo, inspiração e esperança. A revista terá periodicidade bimestral. 

Coordenado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), o Projeto Minerva consistirá em uma publicação impressa, com uma tiragem de 2,5 mil exemplares, uma versão digital e a versão infantil: Minervinha. Além disso, contará também com um portal, um banco de fontes de pesquisadores da UFRJ, um podcast, redes sociais integradas, programas de formação em comunicação científica e um sistema de monitoramento da imagem institucional. Cerca de 100 pessoas, entre professores, pesquisadores, alunos e servidores, lotaram o auditório da Casa da Ciência para prestigiar o lançamento da Minerva

“Nosso objetivo é divulgar ciência para todos. Para nós mesmos, para que a gente se conheça melhor, mas também prestar contas à sociedade. Ela mostra um pouco do que é produzido na UFRJ, mas também o poder, a pujança, a grandiosidade e o potencial que ela tem. Mostra o trabalho de cada servidor, técnico administrativo em educação, docentes e dos nossos alunos, que são fantásticos”, disse o reitor, Roberto Medronho. 

Uma apresentação do coral Brasil Ensemble, da UFRJ, abriu a cerimônia. Em seguida, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, João Neto, contou aos presentes detalhes de como a ideia da criação da revista surgiu na instituição. “Foi a partir de uma ansiedade do professor Roberto Medronho e da chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, de que nós precisamos mostrar mais o que a UFRJ faz de bom. Fazemos tanta coisa bacana, que às vezes nem nós mesmos conhecemos. Na PR-2, percorremos toda a Plataforma Sucupira, captamos 50 ações de extensão interessantes e apresentamos. Aí a coisa foi crescendo, crescendo, e hoje apresentamos a revista”, contou João Neto.

A publicação será dedicada a divulgar as pesquisas, a produção intelectual e o pensamento científico da instituição | Foto: Fernando Souza

O editor-chefe da revista Minerva, Paulo Rossi, e o editor de Arte, André Hippert, apresentaram como a publicação foi formulada. O primeiro número destaca a relação entre a deusa Minerva e a história da Universidade e apresenta exemplos da diversidade da pesquisa na UFRJ, como estudos sobre direitos humanos de mulheres encarceradas, dinossauros e um biodetergente inovador, além da descoberta da proteína capaz de regenerar tecidos nervosos e restaurar movimentos em pacientes com lesões medulares. A edição também mostra o resgate do acervo de um maestro compositor brasileiro, evidenciando o diálogo entre ciência e arte na instituição.

“Estamos criando um ecossistema de divulgação para a maior universidade pública do país com uma riqueza de pesquisa, professores e pesquisadores maravilhosos. Queremos que ela contemple todos os campi, institutos e centros, todos os professores, mestrandos, doutorandos, alunos de graduação e servidores. A gente quer que todo mundo esteja com o rosto à mostra nesta revista. Nossa missão aqui é simplesmente abrir as portas da pesquisa científica da UFRJ para o mundo”, afirmou Rossi.

Os desafios e responsabilidades da prática científica no Brasil

Sob mediação do reitor, Roberto Medronho, foi realizado, durante o lançamento da revista, um debate entre a cientista Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e o físico Luiz Davidovich, professor emérito da Universidade. Eles discutiram o impacto social da ciência, a importância da formação acadêmica, as condições de trabalho nas universidades públicas e o compromisso ético do cientista com a sociedade. A pesquisadora lidera um estudo de 25 anos que apresentou resultados que podem transformar o tratamento de lesões medulares. Já Davidovich é um dos principais nomes da física quântica no país. Recentemente, venceu o prêmio internacional de ciências TWAS Apex 2025, concedido pela Academia Mundial de Ciências (TWAS), vinculada à Unesco.

Debate entre a cientista Tatiana Sampaio e o físico Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza

Durante o debate, Luiz Davidovich relatou como nasceu seu interesse pela ciência na infância. Destacou que, ao longo da carreira, seguiu o coração ao escolher a física, valorizou o ato de ensinar com emoção e descreveu a pesquisa como uma atividade marcada por desafios intensos e pelo poder da descoberta. O físico reiterou, ainda, a responsabilidade ética dos cientistas diante da desigualdade social brasileira.

“Num país como o Brasil, você tem múltiplas coisas a fazer. Temos a obrigação de lutar contra a desinformação, contra o negacionismo. Devemos honrar os recursos, o dinheiro. Fazer pesquisa direito, ensinar direito. Isso é muito importante. E depois atuar junto à sociedade para esclarecer questões de que a gente tem o conhecimento”, destacou Davidovich.

Tatiana Sampaio, por sua vez, comentou sobre o impacto de acompanhar pacientes recuperando movimentos graças às pesquisas que coordena. Ela contou como migrou da atração inicial pela física para a biologia no momento do vestibular e narrou sua formação em laboratório, marcada pela união entre pesquisadores e criatividade diante das dificuldades. Além disso, enfatizou o prazer e a responsabilidade envolvidos no ensino de disciplinas básicas para cursos da área da saúde: “Temos que ter a seriedade de fazer as coisas da melhor maneira possível, fazer as melhores entregas, tanto no ensino, na pesquisa, quanto na extensão. Eu acho que é a nossa obrigação, uma forma de ativismo também”, disse a pesquisadora.

Revista Minerva

Símbolo da UFRJ desde 1925, a deusa greco-romana Minerva inspira o nome e o propósito da publicação: revelar a Universidade em toda a sua magnitude — dos laboratórios às salas de aula, das engenharias às artes, do Fundão a Macaé. Inspirada em experiências como a revista Darcy, da Universidade de Brasília (UnB), a Minerva pretende fortalecer o sentimento de pertencimento entre os pesquisadores e abrir as portas da ciência para a sociedade.

Revista foi lançada em cerimônia realizada na Casa da Ciência da UFRJ | Foto: Fernando Souza

Com 60 páginas coloridas, a revista traz matérias que interpretam a linguagem acadêmica em conteúdos acessíveis, contextualizados e visualmente interessantes, utilizando fotografias, infográficos e quadros explicativos. Além do editor-chefe, Paulo Rossi, e o editor de Arte, André Hippert, a primeira edição da revista Minerva contou com a subeditoria de Vivi Fernandes de Lima, com a editoria de fotografia de Fernando Souza, e com reportagens de Ana Clara Prevedello, João Vitor Prudente, Maria Clara Patrício, Renan Fernandes e Rick Barros.